Um dia, ela conhece a elegante Carol Aird (Cate Blanchett), uma cliente que busca um presente de Natal para a sua filha.
Carol, que está se divorciando de Harge (Kyle Chandler), também não está contente com a sua vida.
As duas se aproximam cada vez mais e, quando Harge a impede de passar o Natal com a filha, Carol convida Therese a fazer uma viagem pelos Estados Unidos.
Todd Haynes é um diretor que, apesar de ter poucos trabalhos no currículo, tem como marca registrada o perfeccionismo na ambientação de seus filmes/série. Assim foi com Velvet Goldmine,Longe do Paraíso, Mildred Pierce e assim é em seu novo trabalho, o excelente Carol, exibido em primeira mão no Festival de Cannes.
O filme do ano para a Associação de Críticos de Cinema de Nova Iorque é Carol, de Todd Haynes: porque o elegeu como melhor filme, porque designou Haynes como melhor realizador, porque premiou o argumento – de Phyllis Nagy, autora da adaptação de The Price of Salt, o romance que Patricia Highsmith escreveu em 1952 sob o pseudónimo de Claire Morgan - e, last but not the least, porque distinguiu a fotografia de Ed Lachman.
Um filme de Todd Haynes, claro, mas também um filme do seu director de fotografia e ainda de Phyllis Nagy, que tinha este projeto em mãos há anos e que esteve em vias de ser gorado porque o realizador inicialmente escolhido se mostrou indisponível – foi através da sua produtora e cúmplice Christine Vachon que Haynes chegou ao projeto de adaptação ao cinema da “história de amor lésbico” na América dos anos 50 que Highsmith escreveu (as personagens são interpretadas por Cate Blanchett, uma dona de casa, e Rooney Mara, uma fotógrafa, e as duas atrizes ficaram de fora das escolhas dos críticos).
Sendo um filme de Haynes, mais uma contribuição para o “arquivo” de imagens, comportamentos, silêncios e repressões (e guarda-roupa) da vida privada americana que a sua obra vem fixando (Superstar-The Karen Carpenter Story, Safe-Seguro, Longe do Paraíso, a mini-série Mildred Pierce…), é sobretudo um filme de domínio de uma “carpintaria” e das convenções, filme mais normalizado e serenado se compararmos com a realidade intensificada que consumia e ameaçava destruir cada plano de Longe do Paraíso, por exemplo - é como se o modelo de série televisiva se tivesse prolongado a partir de Mildred Pierce.
Michael Keaton foi considerado o melhor ator pelos críticos nova-iorquinos (Spotlight, sobre a equipa de jornalismo de investigação do Boston Globe) e Saoirse Ronan a melhor atriz por Brooklyn, adaptação por Nick Hornby do romance de Colm Tóibín - Mark Rylance (A Ponte dos Espiões) e Kristen Stewart (As Nuvens de Sils Maria) foram os escolhidos nas categorias secundárias.
Inside Out foi considerada a melhor animação (como nas escolhas da National Board of Review), O Filho de Saul o melhor primeiro filme - é o filme do húngaro Laszlo Nemes, que se propõe um desafio intimidante, estar no espaço de uma pessoa, acompanhar os seus atos, estar com ela no Inferno, os crematórios de Auschwitz-Birkenau.
Timbuktu foi considerado o melhor filme estrangeiro, In Jackson Heights, de Frederick Wiseman, o melhor filme de não-ficção - o afecto de Wiseman, disfarçado como sempre pela reserva, vai de novo para um grupo de pessoas a organizar-se, a agir, a trabalhar, no caso concreto os habitantes de um bairro de Queens, Nova Iorque, que está a mudar, porque a gentrificação ameaça toda uma rede humana e social.
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